Absenteísmo nas empresas, presenteísmo e quiet quitting: o que esses sinais dizem sobre a saúde corporativa

Nos últimos anos, a discussão sobre ausência no trabalho ganhou novos contornos. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que depressão e ansiedade geram cerca de 12 bilhões de dias de trabalho perdidos todos os anos, com impacto estimado em US$ 1 trilhão em perdas de produtividade global Esse cenário ajuda a explicar por que o absenteísmo nas empresas passou a ser observado com mais atenção pelas áreas de recursos humanos e gestão corporativa. 

Compreender os sinais por trás das faltas se tornou um desafio estratégico para as empresas. 

O que é absenteísmo nas empresas 

Em termos simples, absenteísmo nas empresas é o indicador que mede a ausência de colaboradores no trabalho durante o período em que deveriam estar exercendo suas atividades. 

Ele inclui faltas justificadas ou não, afastamentos médicos e diferentes tipos de licença. 

Quando analisado de forma estruturada, o absenteísmo ajuda empresas a compreender padrões de saúde, engajamento e condições de trabalho dentro da organização. 

Por esse motivo, o indicador é um dos principais termômetros da saúde organizacional. 

A ausência no trabalho mudou 

Durante muito tempo, a produtividade foi associada quase exclusivamente à presença física do colaborador. Se a pessoa estava no trabalho, a expectativa era de que estivesse produzindo normalmente. 

Hoje essa lógica já não explica completamente o que acontece dentro das organizações. 

O crescimento de afastamentos relacionados à saúde mental, as mudanças nas expectativas profissionais e as transformações na cultura de trabalho ampliaram o debate sobre o que realmente significa estar presente no ambiente corporativo. 

Nesse contexto, mais dois conceitos passaram a aparecer com mais frequência nas discussões sobre gestão de pessoas: 

  • Presenteísmo; 
  • Quiet quitting. 

Embora representem comportamentos diferentes, todos ajudam a revelar como a relação entre profissionais e trabalho vem mudando. 

Entendendo os termos 

Presenteísmo 

presenteísmo representa a seguinte situação: o profissional está presente no trabalho, mas não consegue desempenhar plenamente suas atividades. 

Isso pode acontecer por diversos fatores, como: 

  • Problemas de saúde; 
  • Estresse ou esgotamento; 
  • Dificuldades emocionais; 
  • Excesso de carga de trabalho. 

Em muitos casos, o presenteísmo passa despercebido por mais tempo que o absenteísmo. 

Estudos indicam que as perdas de produtividade associadas ao presenteísmo podem superar em mais de sete vezes os custos gerados por faltas ao trabalho. 

No Brasil, o fenômeno também chama atenção. Um levantamento do Censo de Saúde Mental aponta que 31% dos profissionais apresentam sinais de presenteísmo, o que representa impacto relevante para as empresas. 

Quiet quitting 

quiet quitting ganhou visibilidade nos últimos anos para descrever um comportamento específico no ambiente corporativo. 

Ao contrário do que o nome pode sugerir, ele não significa pedir demissão. 

O termo se refere a situações em que o profissional passa a cumprir apenas as responsabilidades mínimas do cargo, evitando assumir tarefas adicionais ou se envolver além do necessário. 

Esse tipo de postura costuma surgir em contextos de desgaste profissional, desalinhamento de expectativas ou perda de engajamento com o trabalho. 

Distinguindo absenteísmo, presenteísmo e quiet quitting 

 

Essa comparação ajuda a entender que os três fenômenos indicam diferentes formas de desconexão entre profissional e trabalho. 

O que esses fenômenos têm em comum 

Absenteísmo, presenteísmo e quiet quitting não são a mesma coisa, mas todos revelam um ponto em comum: a relação entre saúde, engajamento e produtividade dentro das organizações. 

Enquanto o absenteísmo aparece nas faltas registradas, o presenteísmo e o quiet quitting costumam surgir de forma mais silenciosa, muitas vezes como queda gradual de desempenho ou redução de envolvimento com o trabalho. 

Quando esses sinais não são monitorados de forma estruturada, acabam se tornando visíveis apenas quando já geraram impacto relevante na operação das empresas. 

O problema da gestão reativa 

Apesar do aumento das discussões sobre saúde mental no trabalho, muitas empresas ainda lidam com o absenteísmo apenas de forma reativa. 

Isso significa que o tema passa a receber atenção somente quando os afastamentos já estão elevados ou quando começam a afetar diretamente a produtividade das equipes. 

Sem acompanhamento estruturado de indicadores, torna-se difícil identificar padrões, compreender causas recorrentes e antecipar riscos relacionados à saúde dos colaboradores. 

O papel dos dados na gestão de saúde corporativa 

Empresas que conseguem lidar melhor com o absenteísmo normalmente têm algo em comum: acompanham dados de saúde corporativa de forma sistemática. 

Entre os indicadores mais utilizados estão: 

  • Frequência de afastamentos; 
  • Tempo médio de licenças médicas; 
  • Reincidência de determinados diagnósticos; 
  • Áreas ou equipes com maior concentração de afastamentos. 

Quando analisadas em conjunto, essas informações ajudam a identificar tendências e permitem que a gestão de saúde seja tratada de forma mais estratégica. 

Um insight importante sobre saúde corporativa 

Ao analisar os indicadores de saúde corporativa de forma integrada, é possível entender que o absenteísmo raramente surge isolado. 

Com frequência, ele é precedido por sinais de presenteísmo, queda de engajamento ou aumento de demandas relacionadas ao bem-estar dos colaboradores. 

Quando esses sinais são monitorados de forma sistemática, é possível antecipar riscos e reduzir afastamentos recorrentes. 

Esse tipo de leitura integrada é o que permite transformar dados de saúde ocupacional em decisões estratégicas para o negócio. 

Como empresas podem estruturar uma gestão mais eficiente de saúde corporativa 

À medida que o debate sobre absenteísmo nas empresaspresenteísmo e engajamento ganha relevância, muitas organizações percebem que lidar com esses temas exige uma visão integrada. Uma gestão de saúde corporativa eficiente é aquela que conecta diretamente a segurança do trabalho à saúde ocupacional, garantindo conformidade com as normas vigentes, como a NR-1. 

Nesse contexto, o suporte de empresas especializadas em indicadores de saúde organizacional desempenha um papel importante na mitigação de riscos. A Mantris cuida de toda a jornada de prevenção e bem-estar, permitindo que as empresas desenvolvam suas atividades com mais previsibilidade e menos afastamento do trabalho. 

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FAQ: Perguntas sobre absenteísmo nas empresas, presenteísmo e quiet quitting 

Como a NR-1 correlaciona o absenteísmo nas empresas com o nexo causal de doenças mentais? 
A partir das atualizações de 2025/2026, a NR-1 exige que o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) inclua os fatores de riscos psicossociais. Se houver um alto índice de absenteísmo nas empresas por causas mentais sem ações de saúde ocupacional, a empresa pode ser responsabilizada por um ambiente de trabalho adoecedor. 

O quiet quitting pode ser considerado um sinal de alerta para a saúde mental no trabalho? 
Sim. O quiet quitting (ou demissão silenciosa) costuma ser o primeiro estágio de desconexão. Quando o colaborador limita seu engajamento ao mínimo, isso pode indicar um quadro de estresse ou início de burnout, precedendo o afastamento do trabalho formal. 

Como reduzir o absenteísmo e o presenteísmo de forma estratégica? 
A redução eficiente envolve o monitoramento de indicadores de saúde organizacional e a implementação de canais de escuta ativa. O foco deve migrar da gestão reativa para a prevenção, utilizando dados de saúde corporativa para antecipar crises de engajamento e performance.