Gripe é risco à segurança do trabalho

Data: 22/04/2016

O recente surto da gripe causada pelo vírus H1N1 está chamando a atenção para um problema que poucas vezes recebe a devida atenção por parte dos empregadores.  Mas a gripe está entre os principais fatores de absenteísmo do trabalho e também compromete a segurança ocupacional. Mesmo um ataque leve de gripe pode reduzir a rapidez de reação de uma pessoa em 20%-40%[1], o que traz sérias implicações para a segurança ocupacional.  Ou seja, manter uma pessoa resfriada ou gripada trabalhando eleva os riscos de acidentes de trabalho.

“É importante que as empresas usem o mapeamento de risco das funções para ter mais atenção com os colaboradores dessas áreas que contraem gripes ou resfriados.  Nestes casos, o respeito ao prazo para o pleno restabelecimento da saúde deve ser visto como um item de segurança do trabalho”, alerta Januário Micelli, presidente da AGSSO-Associação de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional

De maneira geral, a gripe é responsável por 10% das faltas.  Estudos mostram que durante o ciclo da doença, o absenteísmo se eleva, podendo ir de 0,79 a 4,9 dias de trabalho[2].  Pesquisas indicam que esses custos indiretos podem chegar a US$ 15 bilhões por ano[3].   A perda de produtividade causada pela morbidade e pela mortalidade da gripe é estimada em US$ 498 / dia no Brasil[4].  Mesmo aqueles que contraem doenças semelhantes à gripe e permanecem em atividade ou retornam ao trabalho antes de seu pleno restabelecimento têm produtividade mais baixa[5].

“Tanto o hábito de não deixar de trabalhar quando se está resfriado ou gripado, como a tendência de retomar as funções antes do término do ciclo da doença, devem ser combatidos”, recomenda Januário Micelli.  “Além de produzirem menos, esses profissionais elevam o risco de disseminação da doença para seus colegas”, esclarece.

Este ano, a gripe começou mais cedo e está sendo turbinada pelo mais agressivo dos vírus, o H1N1.  Sozinho, ele já responde por metade dos casos registrados no Brasil. As notícias sobre o recente surto do vírus H1N1 preocupam e estão levando muitas pessoas a procurarem pela vacina.  “A Organização Mundial de Saúde recomenda a vacinação preventiva, especialmente de pessoas em situação de risco  ou maior fragilidade.  Pois bem: trabalhadores que desempenham suas funções em locais fechados, com ar condicionado e, portanto, ventilação restrita, estão claramente no grupo de risco”, ressalta Paulo Zaia, diretor da AGSSO.  “Por isso, a vacinação preventiva não pode ficar de fora do calendário e do orçamento das empresas”, conclui.

Mas há outras medidas que também devem ser adotadas.  “Seja em casa ou no trabalho, as pessoas devem manter os ambientes arejados, lavar sempre as mãos ou higienizá-las com álcool gel e usar lenços descartáveis para espirrar ou tossir”,  recomenda Zaia.  “No caso de empresas com restaurantes industriais, é importante reforçar, no cardápio, a presença de alimentos com vitamina C, como sucos naturais e frutas na sobremesa”, destaca.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, entre 3 e 5 milhões de pessoas são contaminadas por alguma variação do vírus da gripe em todo o mundo.  Destas, meio milhão vêm a falecer.  Dados do Censo Nacional de Saúde dos Estados Unidos (National Health Interview Survey) impressionam: apenas em 1995 a gripe foi responsável por mais de 200 milhões de dias com atividade restrita, 100 milhões de dias de cama, 75 milhões de dias de trabalho perdido e  22 milhões de visitas médicas.

Responsável: AGSSO – Associação de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional. Divulgada em 21/04/2016. Fonte: http://surgiu.com.br/noticia/238247/gripe-e-risco-a-seguranca-do-trabalho.html

  • Categorias